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AtualizadoQui, 02 Abr 2020 7pm

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Estudo brasileiro discute câncer gástrico e qualidade de vida

rodrigo nascimento sbco bxA ressecção cirúrgica permanece como principal abordagem curativa no tratamento do câncer gástrico, mas pode afetar a qualidade de vida (QV). Estudo brasileiro publicado na Journal of Gastrointestinal Oncology (JGO) avaliou dados de 104 pacientes de três regiões do País e concluiu que o tipo de tratamento instituído, o tempo pós-operatório e os fatores sociodemográficos e anatomopatológicos influenciam a qualidade de vida. O cirurgião oncológico Rodrigo Pinheiro (foto), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), é o primeiro autor do trabalho.

Com o objetivo de avaliar a qualidade de vida (QV) de pacientes com adenocarcinoma gástrico submetidos à cirurgia curativa, este estudo transversal utilizou questionários validados – o inquérito Functional Assessment of Cancer Therapy-Gastric (FACT-Ga) e a versão 2 do Short Form 36 Health Survey (SF36v2) -, correlacionando os escores obtidos com dados sociodemográficos, clínicos e anatomopatológicos.

Resultados

A partir dos dados de 104 pacientes de três regiões brasileiras, a análise de regressão múltipla mostrou associação positiva entre o status do Helicobacter pylori e o bem-estar físico (P= 0,026), entre gênero e bem-estar emocional (P = 0,008), assim como houve correlação entre a histologia de Lauren e escores de capacidade funcional (P = 0,009) e aspectos físicos (P=0,027) do SF36v2. O local do tumor também se correlaciona ao bem-estar emocional (P= 0,038), enquanto os melhores escores de saúde mental (SF36v2) foram associados aos menores estadiamentos linfonodais (P= 0,006) e aos maiores números de linfonodos ressecados (P= 0,029).

Na análise estratificada por gênero, as mulheres apresentaram pior pontuação no FACT-Ga (P= 0,049), nos escore de bem-estar físico (P = 0,005) e emocional (P = 0,007), assim como apresentaram pior desempenho nos escores de saúde mental (P = 0,011).

Pacientes com tumores distais tiveram melhor pontuação (FACT-Ga, P = 0,018), inclusive na escala de câncer gástrico (GaCS, P = 0,014) e no índice TOI (Trial Outcome Index, P = 0,020) em relação a pacientes com tumores proximais.

Os autores também reportam que pacientes com tumores localizados na cárdia apresentaram melhor capacidade funcional quando comparados àqueles com tumores proximais (P = 0,042). Quando avaliada a correlação entre qualidade de vida e o tratamento recebido, pacientes submetidos à gastrectomia parcial tiveram pontuação melhor nos escores de FACT-Ga (P = 0,011) e de bem-estar físico (P = 0,033), com desempenho superior também nos resultados da escala GaCS (P = 0,006) e no índice TOI (P = 0,008) do que aqueles submetidos à gastrectomia total.

Os pacientes que não receberam terapia adjuvante apresentaram pior pontuação no índice de dor avaliado pelo SF-36v2 na comparação com aqueles que receberam adjuvância (P = 0,048).

De acordo com o coeficiente de Spearman, a maior disseminação linfonodal esteve associada a pior qualidade de vida nos escores FACT-Ga (s = −0.200, P = 0,034), GaCS (s = −0,206, P = 0,037) e TOI (s = −0,216; P = 0,028).

Para Rodrigo Nascimento Pinheiro, primeiro autor do artigo publicado na JGO, o estudo reflete a complexa correlação entre as mais diversas características da doença e de seu tratamento com os pacientes, além de corroborar a importância da análise do desfecho qualidade de vida, sugerindo sua utilidade na construção de estratégias avançadas. “Pesquisas bem desenhadas utilizando essas ferramentas estatísticas, resgatam o protagonismo do paciente na construção de decisões terapêuticas, uma vez que conseguimos mensurar cientificamente e parametrizar diferentes aspectos de suas vidas e suas percepções individuais, antes consideradas subjetivas ou abstratas”, avalia.

Referência: 2019 Pinheiro, Rodrigo Nascimento; Mucci, Samantha; Zanatto, Renato Morato; Junior, Olavo Magalhães Picanço; Bottino, Augusto Angelo Granado; Fontoura, Renata Pereira; Lopes Filho, Gaspar de Jesus. Quality of Life as a Fundamental Outcome After Curative Intent Gastrectomy for Adenocarcinoma: Lessons Learned from Patients.Journal of Gastrointestinal Oncology , v. 10, p. 989-998, 2019.


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