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AtualizadoTer, 27 Out 2020 2pm

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Risco de câncer de mama em sobreviventes de transplante de medula óssea

MAIOLINO NET OKEstudo de McDonald et al publicado no Journal of Clinical Oncology mostrou associação positiva entre a irradiação corporal total (TBI) em idade precoce e o desenvolvimento subsequente de câncer de mama em sobreviventes de transplante de medula óssea (TMO). Segundo os autores, esses achados devem ser considerados para orientar o rastreamento do câncer de mama nessa população. “A exposição à TBI em idade <30 anos foi associada a um risco 4,4 vezes maior de câncer de mama em sobreviventes de TMO alogênico e a um risco 4,6 vezes maior em sobreviventes de TMO autólogo”, alertam. O oncohematologista Ângelo Maiolino (foto) comenta os resultados.

Com o objetivo de examinar a associação entre a irradiação corporal total (TBI, da sigla em inglês) e o desenvolvimento subsequente de câncer de mama em mulheres tratadas com transplante de medula óssea (TMO) para doenças hematológicas, os pesquisadores selecionaram participantes do BMT Survivor Study, estudo de coorte retrospectivo que incluiu pacientes submetidos a TMO entre 1974 e 2014.  Foram elegíveis aqueles que sobreviveram por ≥ 2 anos após o TMO, sem exposição prévia à radiação torácica. Os diagnósticos mais comuns foram leucemia mieloide aguda ou síndrome mielodisplásica (27,5%), linfoma não-Hodgkin (23,3%), discrasias celulares (18%) e leucemia mieloide crônica (10,3%).

Os resultados mostram que 1.464 mulheres sobreviventes do TMO (alogênico: n = 788; autólogo: n = 676) participaram da análise, com acompanhamento médio de 9,3 anos a partir do TMO.  Desse universo, 660 pacientes (46%) foram tratadas com TBI. Trinta e sete mulheres desenvolveram câncer de mama (alogênico: n = 19; autólogo: n = 18). McDonald et al.  mostram que a exposição à TBI foi associada a um risco aumentado de câncer de mama, tanto em sobreviventes de TMO alogênico (razão de risco [HR], 3,7 [IC de 95%, 1,2 a 11,8]; P = 0,03), quanto em sobreviventes de TMO autólogo (HR , 2,6 [IC 95%, 1,0 a 6,8]; P = 0,048).

Em comparação com a população em geral, a exposição a TBI em idade <30 anos foi associada a um risco 4,4 vezes maior de câncer de mama em sobreviventes de TMO alogênico e a um risco 4,6 vezes maior em sobreviventes de TMO autólogo. Os autores reportam, ainda, que a exposição pré-TMO a agentes alquilantes também foi positivamente associada a um risco aumentado no grupo tratado com TMO autólogo (HR, 3,3 [IC 95%, 1,0 a 9,0]; P = 0,05).

“A associação entre TBI e câncer de mama, especialmente entre aquelas pacientes expostas em idade jovem, bem como a exposição pré-TMO a agentes alquilantes, deve informar o rastreamento do câncer de mama para detecção precoce”, conclui a publicação.

Os autores destacam que este é o primeiro relato de risco aumentado de câncer de mama após TBI em mulheres sobreviventes de TMO. Para o oncohematologista Ângelo Maiolino (foto), professor de hematologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador de hematologia do Americas Centro de Oncologia Integrado, os dados reportados agora têm o mérito de representar uma grande coorte de análise, com longo período de follow-up, mas reforçam evidências já conhecidas, tanto sobre à utilização de TBI quanto ao uso de agentes alquilantes. “O risco de segunda malignidade é bem descrito na literatura. Os dados, portanto, não surpreendem e muita coisa mudou considerando o longo período de acompanhamento dessa coorte do BMT Survivor Study. Hoje, há uma limitação muito maior em relação ao uso de TBI e a técnica se sofisticou”, explica Maiolino, para quem a grande contribuição do estudo é lembrar que pacientes submetidos a TMO devem ser acompanhados de perto. “Essa é a grande mensagem, ressaltar que esses pacientes muitas vezes ficam curados da doença de base, principalmente aqueles submetidos ao transplante alogênico, e ao longo do tempo precisam ser monitorados de perto, não só pelo risco de segunda malignidade, mas também para identificar e tratar outros possíveis efeitos tardios do tratamento”, conclui.

Referência: McDonald, A. M., Chen, Y., Wu, J., Hageman, L., Francisco, L., Kung, M., … Bhatia, S. (2020). Total Body Irradiation and Risk of Breast Cancer After Blood or Marrow Transplantation: A Blood or Marrow Transplantation Survivor Study Report. Journal of Clinical Oncology, JCO.20.00231. doi:10.1200/jco.20.00231


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