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AtualizadoSáb, 24 Out 2020 10pm

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Novo regime aumenta profundidade de resposta no mieloma múltiplo

GUILHERME PERINI NET OKPara pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado elegíveis ao transplante autólogo de células tronco hematopoiéticas (TCTH), a indução e consolidação pós-transplante podem ser realizadas com a combinação de lenalidomida, bortezomibe e dexametasona (VRd). Agora, resultados do estudo de Voorhees et al. publicado na edição de agosto da Blood mostram que a adição de daratumumabe a este regime aumentou as taxas de resposta completa e a negatividade para doença residual mínima após a consolidação, sem novos eventos de segurança. Quem analisa os resultados é o oncohematologista Guilherme Perini (foto).

Lenalidomida, bortezomibe e dexametasona (RVd) seguido por transplante autólogo de células-tronco (ASCT) é um dos tratamentos padrão de primeira linha de para pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado elegíveis para transplante. Neste ensaio randomizado de Fase II (GRIFFIN), Voorhees et al. avaliaram a adição de daratumumabe (D) ao esquema padrão (D-RVd) nessa população.

Os pacientes (N = 207) foram randomizados 1: 1 para receber terapia de indução com D-RVd ou 4 ciclos de RVd, consolidação com D-RVd ou 3 ciclos de RVd  e lenalidomida ou lenalidomida com daratumumabe como manutenção por até 26 ciclos. Os resultados reportados na Blood mostram que o ensaio cumpriu seu principal endpoint e alcançou taxa de resposta completa estrita (sCR) até o final da consolidação pós-ASCT, favorecendo D-RVd versus RVd (42,4% vs 32,0%; P = 0,068).

Após 22,1 meses de acompanhamento, as respostas se aprofundaram, com taxa de sCR de 62,6% vs 45,4% para D-RVd vs RVd (P = 0,0177). A taxa de negatividade para doença residual mínima também favoreceu a adição de daratumumabe ao regime padrão na população com intenção de tratar (51,0% vs 20,4%; P <0,0001).

Quatro pacientes (3,8%) no grupo D-RVd e 7 pacientes (6,8%) no grupo RVd evoluíram; as respectivas taxas de sobrevida livre de progressão em 24 meses foram de 95,8% e 89,8%.

Em relação ao perfil de segurança, eventos adversos hematológicos de grau 3/4 foram mais comuns com D-RVd. Mais infecções ocorreram com D-RVd, mas as taxas de infecção de grau 3/4 foram semelhantes.

A conclusão dos autores indica que o tratamento com daratumumabe combinado ao padrão RVd na indução e consolidação melhorou a profundidade da resposta em pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado elegíveis para transplante, sem novas preocupações de segurança.

“Trata-se de mais um estudo mostrando o papel do anti-CD38, no caso o daratumumabe, em associação com a terapia padrão para o mieloma”, afirma Guilherme Perini, coordenador da hematologia do Grupo Américas e médico no Hospital Israelita Albert Einstein. “Nesse caso, a associação do daratumumabe é com o VRd, esquema considerado padrão nos EUA. Infelizmente, devido à questão de acesso da lenalidomida no Brasil, este esquema é menos empregado aqui”, observa.

Perini destaca que o estudo atingiu seus desfechos primários de sCR e também uma significativa diferença em negativação de doença residual mínima, que são considerados desfechos substitutos à sobrevida livre de progressão e sobrevida global. “Mais ainda, as taxas de SLP em 24 meses de cerca de 95% são muito impressionantes.

Infelizmente, o benefício da associação não se confirmou na população de alto risco, definido como ISS3 ou pacientes com alto risco citogenético”, acrescenta.

O especialista ressalta que, do ponto de vista de segurança, a associação de daratumumabe se mostrou bem tolerada, com um pouco mais de eventos adversos; porém, mais pacientes no braço VRd descontinuaram por eventos adversos. “Em resumo, dara-VRd parece ser uma excelente opção para pacientes elegíveis ao transplante, e esperamos poder utilizar esta combinação no Brasil o mais rápido possível”, conclui.

Referência: Voorhees PM, Kaufman JL, Laubach J, et al; GRIFFIN Trial Investigators. Daratumumab, lenalidomide, bortezomib, and dexamethasone for transplant-eligible newly diagnosed multiple myeloma: the GRIFFIN trial. Blood. 2020;136(8):936-945.


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