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AtualizadoQua, 27 Out 2021 8pm

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Daichii Sankyo

Acesso e prioridades na oncologia

roitberg ok bxO oncologista Felipe Roitberg (foto), atualmente na Organização Mundial de Saúde, é coautor de estudo publicado no Lancet Oncology, com dados sobre o acesso ao tratamento do câncer em 82 países.

A Lista de Medicamentos Essenciais da OMS identifica medicamentos prioritários para a saúde pública global. Apesar da atualização periódica, a lista mínima proposta pela OMS é condizente com as prioridades da oncologia? “Nosso objetivo foi investigar se os medicamentos contra o câncer na lista de medicamentos essenciais estão alinhados com os medicamentos prioritários na visão dos oncologistas que atuam na linha de frente em todo o mundo, e até que ponto são acessíveis na prática clínica de rotina”, descrevem os autores.

Esta pesquisa internacional envolveu pesquisadores com diferentes práticas, em países de baixa e alta renda, incluindo membros do Grupo de Trabalho de Medicamentos Essenciais da OMS. Os pesquisadores desenvolveram um survey eletrônico com 28 perguntas, enviadas para uma rede global de oncologistas em 89 países.  Cada contato principal distribuiu a pesquisa por meio de suas associações (nacionais e regionais) ou redes pessoais. A pesquisa foi aberta de 15 de outubro a 7 de dezembro de 2020. Foram elegíveis médicos habilitados a prescrever terapia sistêmica para o tratamento do câncer em adultos. A pergunta principal pedia aos respondentes que selecionassem os dez medicamentos contra o câncer que proporcionariam o maior benefício de saúde pública para seu país; as perguntas subsequentes exploraram a disponibilidade e o custo dos medicamentos contra o câncer. Estatísticas descritivas foram usadas para comparar o acesso a medicamentos entre países com diferentes níveis de renda (baixa, média-baixa, média-alta e alta).

Resultados

Foram elegíveis 948 oncologistas, de 82 países, que completaram a pesquisa (165 [17%] em países de renda baixa e média-baixa, 165 [17%] em países de renda média-alta e 618 [65%] em países de alta renda).

Os medicamentos is comumente selecionados foram doxorrubicina (por 499 [53%] de 948 entrevistados), cisplatina (por 470 [50%]), paclitaxel (por 423 [45%]), pembrolizumabe (por 414 [44%]), trastuzumabe (por 402 [42%]), carboplatina (por 390 [41%]) e 5-fluorouracil (por 386 [41%]). Dos 20 medicamentos de alta prioridade para o tratamento do câncer mais selecionados, 19 (95%) estão atualmente na lista de medicamentos essenciais da OMS; 12 (60%) eram agentes citotóxicos e 13 (65%) receberam a aprovação regulatória da Food and Drug Administration antes de 2000. A proporção de entrevistados indicando a disponibilidade universal de cada um dos 20 principais medicamentos foi de 9 a 54% em respondentes de países de renda baixa e média-baixa, 13–90% em países de renda média alta e 68–94% em países de alta renda.

O risco de gastos catastróficos (gastos > 40% do total líquido de gastos com alimentos) foi mais comum em países de renda baixa e média-baixa, com 13-68% dos entrevistados indicando um risco substancial de gastos catastróficos para cada um dos 20 principais medicamentos em países de renda média baixa contra 2–41% dos entrevistados em países de renda média alta e 0–9% em países de renda alta.

“Esses dados demonstram as maiores barreiras no acesso aos principais medicamentos contra o câncer em todo o mundo. Esses achados desafiam a viabilidade de adicionar medicamentos de alto custo à lista de medicamentos essenciais no tratamento do câncer”, destacam os autores. “Há uma necessidade urgente de ação política global e nacional para garantir que os pacientes com câncer em todo o mundo tenham acesso a medicamentos de alta prioridade”, concluem.

Em comentário que acompanha a mesma edição do Lancet Oncology (Access to and affordability of cancer medicines: time to focus on the last mile), Bhawna Sirohi e Aju Mathew argumentam que dos 948 respondentes, 618 (65%) eram de países de alta renda, em comparação com apenas 165 (17%) de países de renda baixa e média baixa. “107 (79%) entrevistados de países de renda baixa e média baixa eram de centros acadêmicos, o que não reflete a realidade da prática oncológica”, analisam.

Referências:

Adam Fundytus et al, Access to cancer medicines deemed essential by oncologists in 82 countries: an international, crosssectional survey, The Lancet Oncology (2021). DOI: 10.1016/S1470-2045(21)00463-0

Bhawna Sirohi e Aju Mathew. Access to and affordability of cancer medicines: time to focus on the last mile, The Lancet Oncology (2021( DOI:https://doi.org/10.1016/S1470-2045(21)00518-0

 

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