Onconews - Oncologistas continuam a prescrever tratamento excessivo em pacientes com câncer no fim da vida

Muitos pacientes com câncer se aproximando do fim da vida continuam a receber tratamentos que causam mais danos do que benefícios clínicos significativos. O alerta é de Cherny et al, no ESMO Open, em revisão que analisa os fatores que contribuem para o overtreatment em pacientes com câncer terminal e propõe uma abordagem para mitigar o tratamento excessivo no fim da vida.

O chamado overtreatment ou tratamento excessivo prejudica os pacientes ao causar efeitos colaterais, além de aumentar os custos dos cuidados de saúde, atrasar discussões importantes sobre e preparação para os cuidados no fim da vida e, ocasionalmente, concorrem até mesmo para acelerar a morte. O tratamento excessivo também pode sobrecarregar os recursos de saúde, reduzindo aqueles disponíveis para serviços de cuidados paliativos e causar sofrimento moral para os clínicos e equipes de tratamento.

Neste artigo, os autores analisam os fatores que contribuem para o tratamento excessivo de pacientes com câncer no fim da vida, enfocando fatores sociais, psicológicos e cognitivos que afetam oncologistas, pacientes e familiares e, em última instância, fomentam uma complexa e intrincada dinâmica que leva ao overtreatment.

“Abordar esses fatores determinantes requer uma abordagem cooperativa envolvendo oncologistas, enfermeiros oncologistas, sociedades profissionais, políticas públicas e educação pública. Portanto, discutimos abordagens e estratégias para mitigar influências culturais e profissionais que impulsionam o tratamento excessivo, na perspectiva de reduzir a sedução de novas tecnologias, melhorar a comunicação clínico-paciente em relação às opções terapêuticas para pacientes que se aproximam do fim da vida e abordar vieses cognitivos que podem contribuir para o tratamento excessivo no fim da vida”, destaca a publicação.

Apesar dos avanços nos cuidados paliativos e da ênfase crescente em abordagens centradas no paciente, Cherny e colegas sublinham que entre 10% e 40% dos pacientes com câncer são tratados em excesso em suas últimas semanas de vida. A proporção de overtreatment é maior em homens, adultos mais jovens, crianças e pacientes com malignidades hematológicas. Os autores destacam que nos últimos anos cresceu a incidência de tratamento excessivo com imunoterapia e terapia-alvo molecular.

“Os oncologistas geralmente enfrentam agendas exigentes com altas cargas de pacientes, tarefas administrativas e casos urgentes. Essa pressão de tempo pode limitar sua capacidade de ter discussões completas e empáticas sobre opções de cuidados de fim de vida, valores do paciente e objetivos”, descreve a publicação. “Consequentemente, os pacientes podem não entender completamente seu prognóstico ou os benefícios limitados do tratamento agressivo em estágios avançados da doença e pode haver menos oportunidades de explorar alternativas como cuidados paliativos, levando a decisões padrão para tratamentos contínuos”, acrescentam.

A íntegra da revisão está disponível no ESMO Open em acesso aberto.

Referência: 

Cherny NI, Nortjé N, Kelly R, Zimmermann C, Jordan K, Kreye G, Le NS, Adelson KB. A taxonomy of the factors contributing to the overtreatment of cancer patients at the end of life. What is the problem? Why does it happen? How can it be addressed? ESMO Open. 2025 Jan;10(1):104099. doi: 10.1016/j.esmoop.2024.104099. Epub 2025 Jan 6. PMID: 39765188; PMCID: PMC11758828.