Onconews - Congressos - Page #11

Coberturas Especiais

O  GigaPath, um modelo baseado em inteligência artificial (IA), promete acelerar o progresso da pesquisa em patologia digital. A plataforma é totalmente aberta, incluindo o código-fonte, e foi um dos destaques do Simpósio Presidencial 3 do ESMO 2024 (Eyes to the future), em apresentação do patologista Carlo Bifulco (foto). “Estamos diante de uma nova era. A patologia computacional vai transformar o diagnóstico do câncer”, sinalizou.

A terapia neoadjuvante total (TNT) seguida por cirurgia retal é o padrão de tratamento para câncer retal localmente avançado (LARC, na sigla em inglês) em pacientes com proficiência de reparo de incompatibilidade (pMMR). Resultados do estudo multicêntrico de fase II NO-CUT apresentados no ESMO 2024 mostram que a pesquisa atingiu seu principal desfecho, confirmando que o acompanhamento intensivo pode ser proposto como alternativa à cirurgia retal em pacientes que atingem resposta clínica completa após TNT.

No estudo de fase 3 HIMALAYA, o regime STRIDE (Single Tremelimumab Regular Interval Durvalumab) melhorou significativamente a sobrevida global (SG) versus sorafenibe em pacientes com carcinoma hepatocelular irressecável (Abou-Alfa et al. NEJM Evid 2022) e demonstrou sobrevida durável, com taxa de SG em 4 anos de 25,2% (Sangro et al. Ann Oncol 2024). No ESMO 2024 foram apresentados os resultados de SG em 5 anos, demonstrando que o uso combinado de tremelimumabe e durvalumabe mais que dobrou a taxa de SG em 5 anos em relação a sorafenibe (19,6% vs 9,4%) nessa população de pacientes.

Na região norte do Brasil, especificamente no estado do Amazonas, o câncer gástrico (CG) é a segunda principal causa de morte. A cirurgia de remoção do estômago continua sendo o tratamento padrão ouro para câncer gástrico, impactando significativamente a microbiota humana. Certas bactérias, como H. pylori, podem modificar o ambiente gástrico, levando à disbiose potencialmente associada à progressão do tumor. Estudo de Ábner Paz (foto) e colegas, que buscou correlacionar o perfil da microbiota intestinal com CG em pacientes gastrectomizados do Amazonas/Brasil, mostrou no ESMO 2024 resultados que indicam o gênero Alloprevotella como potencial biomarcador para CG na coorte avaliada.

No estudo LAURA, osimertinibe aumentou a sobrevida livre de progressão (SLP) de pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) irressecável, estágio III, com mutação de EGFR, sem progressão após quimiorradioterapia definitiva, com benefício clínico e estatisticamente significativo. No ESMO 2024 novos dados demonstram que osimertinibe diminuiu o risco de progressão ou morte por metástases cerebrais (HR =0,17) e aumentou significativamente a SLP nessa população de pacientes.

Apresentado em sessão plenária no ESMO 2024, o estudo de Fase 3 NIAGARA mostrou que durvalumabe perioperatório combinado com quimioterapia neoadjuvante resultou em melhorias significativas na sobrevida livre de eventos e na sobrevida global em comparação com a quimioterapia neoadjuvante isoladamente em pacientes com com câncer de bexiga músculo-invasivo resecável. “Este novo esquema de tratamento é uma potencial nova opção padrão para o tratamento dessa poúlação de pacientes”, afirmou Ariel Kann (foto), oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e coautor do trabalho, que teve publicação simultânea na New England Journal of Medicine (NEJM).

Em pacientes com câncer de mama metastático receptor hormonal positivo (RH+), HER2-low ou HER2-ultralow que receberam uma ou mais linhas de terapia endócrina, o tratamento com trastuzumabe deruxtecana (T-DXd) resultou em uma sobrevida livre de progressão mais longa em comparação com a quimioterapia padrão. Os resultados são do ensaio de Fase 3 DESTINY-Breast06, apresentado no ESMO 2024 e publicado simultaneamente na New England Journal of Medicine (NEJM), em artigo com participação do oncologista brasileiro Carlos Barrios (foto).

O estudo MYTHOS  é o primeiro estudo de fase II a avaliar  trastuzumabe deruxtecana (T-DXd) em pacientes com câncer de glândulas salivares HER2+ (IHC 3+ ou IHC 2+/ISH+) ou HER2-low (IHC 1+ ou IHC 2+/ISH-). Os resultados da coorte HER2+ foram apresentados no ESMO 2024 e sugerem que T-DXd pode ser uma opção de tratamento eficaz nessa população de pacientes com doença recorrente/metastática.

O estudo de Fase 2, multicêntrico e aberto TROPION-PanTumor03 (NCT05489211) compreende coortes independentes que avaliam o conjugado anticorpo-fármaco direcionado a TROP2  datopotamab-deruxtecan (Dato-DXd) em vários tipos de tumores, como monoterapia ou em combinação. No ESMO 2024, os resultados de pacientes que receberam monoterapia com Dato-DXd no câncer de ovário e no câncer endometrial após tratamento prévio foram apresentados em sessão mini-oral, com taxas elevadas de controle da doença e respostas sustentadas, demonstrando eficácia encorajadora  e perfil de segurança controlável.

Náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia (NVIQ) são uma condição prevalente e que exige profilaxia. O oncologista Ricardo Caponero (foto) é autor de estudo selecionado no ESMO 2024 com resultados do programa de avaliação de prática pessoal THRIVE (Training to Help Reduce CINV ratEs), que avaliou a conscientização de enfermeiros, farmacêuticos e oncologistas sobre NVIQ e sua adesão às diretrizes de gerenciamento propostas.

Pacientes diagnosticados com câncer de próstata com idade >70 anos correm maior risco de morte relacionada à doença na comparação com aqueles diagnosticados com idade ≤70 anos. No estudo EMBARK, enzalutamida ± leuprolide prolongou significativamente a sobrevida livre de metástases (SLM) em pacientes com câncer de próstata de alto risco com recorrência bioquímica. Análise post hoc com participação do oncologista Flávio Carcano (foto) foi selecionada no ESMO 2024 com os resultados por idade, demonstrando que enzalutamida em combinação ou em monoterapia melhorou a SLM em ambas as faixas etárias avaliadas.